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Arábia Saudita, Emirados, Bahrein, Egito, Iêmen, Líbia e Maldivas cortam vínculos com o Catar

s nações árabes anunciaram nesta segunda-feira (5) que cortaram as relações diplomáticas com o Catar, acusado de criar instabilidade na região do Golfo Pérsico, ao apoiar grupos terroristas. O Catar diz que o rompimento é injustificado.

Líbia, Iêmen, Egito, Arábia Saudita, Bahrein e os Emirados Árabes Unidos quebraram os vínculos com a península dias após a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à região. Já os governos do Irã e da Turquia defenderam a abertura de diálogo o Catar e seus vizinhos.

Mais tarde, o governo das Ilhas Maldivas anunciou a mesma decisão, sob o argumento de que é contra a promoção do terrorismo e do extremismo. O governo do arquipélago, localizado no Oceano Índico, mantinha relações com o Catar desde 1984.

O governo saudita acusa Catar de colaborar com "grupos terroristas apoiados pelo Irã" na sua turbulenta região de Qatif e no Bahrein.

Segundo as agências de notícias, cidadãos do Catar têm 14 dias para deixar o Egito, a Arábia Saudita, o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos, que anunciaram o fechamento das fronteiras nas próximas 24 horas.

Os Emirados Árabes deram prazo de 48 horas para que diplomatas do país deixem o Catar. Abu Dhabi acusa Doha de dar suporte ao terrorismo, ao extremismo e dar voz a organizações sectárias.

Todos os pontos de entrada entre a Arábia Saudita e o Catar foram fechados, segundo uma agência de notícias estatal da Arábia Saudita. Segundo o comunicado, a atitude foi tomada para "proteger a segurança nacional dos perigos do terrorismo e do extremismo".

Após o anúncio do rompimento das relações diplomáticas, a Catar Airways suspendeu todos os voos para a Arábia Saudita, segundo a France Presse.

No final do mês passado, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e o Egito já haviam bloqueado vários meios de comunicação do Catar, incluindo a rede Al Jazeera, após comentários feitos pelo emir Sheikh Tamim Al Hamad Al Thani.

 

Al Thani saudou o Irã como um "poder islâmico" e criticou a política do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação a Teerã.

As mudanças ocorrem apenas alguns dias depois da visita de Trump à capital da Arábia Saudita, onde se dirigiu a 55 líderes muçulmanos em um discurso histórico, influenciando-os a duplicar os esforços para combater o terrorismo.

 

Reações

 

O ministro do exterior do Catar afirmou que a decisão dos países em cortar laços diplomáticos é 'injustificada', segundo a agência Reuters. "São baseadas em alegações que não têm base de fato", disse o ministro.

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, disse em Sidney, na Austrália, onde está em visita oficial, que a decisão dos países árabes pode ter um efeito significativo para a luta contra o terrorismo.

Um alto funcionário iraniano disse que a decisão de alguns estados árabes do Golfo e do Egito de separar os laços diplomáticos com o Catar não ajudaria a acabar com a crise no Oriente Médio.

Os governos do Irã e da Turquia defenderam o diálogo, segundo a France Presse.

"A solução às divergências entre Estados na região, incluindo o atual problema entre o Catar e seus três vizinhos (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein), só é possível com métodos políticos e pacíficos e com o diálogo entre as partes", afirmou o porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Bahram Ghasemi.

O Ministério de Exteriores também indicou que a atual ruptura entre Catar e várias nações árabes não beneficia nenhum país do Oriente Médio.

A Turquia, que mantém relações estreitas com as monarquias do Golfo, disse que está disposta a ajudar na questão.

"Podem existir problemas entre os países (...) mas é necessário que o diálogo continue. Certamente nós daremos todo o tipo de apoio para que a situação volte à normalidade", declarou o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu.

O ministro de Assuntos Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, caracterizou a decisão como "um assunto interno" do Oriente Médio.

Lavrov acrescentou que a Rússia está interessada em manter boas relações com todos e nunca se envolve nas dificuldades de outros países.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, falou que acredita que a situação não afeta a luta antiterrorista.

 

Histórico

 

Desde o aparecimento do Catar nos cenários regional e internacional no fim dos anos 1990, o rico emirado fabricante de gás, aliado dos Estados Unidos, alimentou o desenvolvimento de movimentos islamitas, que apoiou direta ou indiretamente nos países onde ocorreu a Primavera Árabe.

O país é considerado um dos principais financiadores da Irmandade Muçulmana no Egito e de grupos afins a esta confraria nos países vizinhos, em especial na Síria, na Líbia e na Tunísia.

O Catar também foi um dos principais apoiadores do ex-presidente egípcio islamita Mohamed Mursi, membro da Irmandade Muçulmana, derrubado em 2013 pelo ex-chefe das Forças Armadas e atual presidente do Egito, Abdul Fatah Al-Sissi. Desde então, ambos os países mantêm relações muito tensas.

Depois, sob pressão de outras monarquias do Golfo, o Catar suavizou as críticas contra Sissi.

O Catar abriga os dirigentes do primeiro plano da Irmandade Muçulmana, grupo qualificado como "terrorista" pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos, como é o caso de Yusuf Al-Qaradawi, considerado um de seus chefes espirituais.

O ex-dirigente do movimento islamita Hamas palestino Khalid Meshal também está no Catar. Além disso, os talibãs afegãos têm um escritório no país.

 

Financiar o terrorismo

 

O Catar é regularmente acusado de certo relaxamento na luta contra o financiamento por meio de fundos particulares de organizações "terroristas", acusações que rechaça firmemente.

Em 2010, uma nota diplomática americana, revelada pelo WikiLeaks, qualificou o Catar como o "pior na região" no que se refere à cooperação com Washington para cortar o financiamento de grupos extremistas.

Depois do atentado em Paris contra o semanário satírico Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, vários responsáveis políticos franceses acusaram o Catar de conivência.

Novas suspeitas chegaram dos Estados Unidos em 2016: um responsável de alto escalão do Tesouro americano afirmou que o Catar, assim como o Kuwait, "ainda carece da necessária vontade política e da capacidade para aplicar suas leis contra o financiamento de organizações terroristas".

Entretanto, dias mais tarde, os Estados Unidos elogiaram seus "esforços positivos" para cortar o financiamento a extremistas e lutar contra o grupo Estado Islâmico (EI).

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